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20/8-/1-01 0h02
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Ao contrário do que se divulga, cães e gatos se dão muito bem em alguns casos

Ao contrário do que se divulga, cães e gatos se dão muito bem em alguns casos

Cães e gatos podem se dar muito bem, como é o caso da cadela Pretinha.

A cadela Pretinha não teve muita sorte nos últimos tempos: foi encontrada perambulando na rua, com fome e esperando filhotes. A funcionária pública Gonçala Portela, 57 anos, integrante de um grupo de amigas protetoras de animais, a levou para um abrigo temporário. Vinte dias depois, os cinco filhotes que Pretinha esperava morreram na hora do parto.

Ao mesmo tempo em que a cadela abatia-se, com o corpo preparado para amamentar, a empresária Marcela Teixeira, 27 anos, buscava na Zoonose um grupo de seis filhotes de gatos abandonados. As amigas, amantes de cães e gatos, começaram a se comunicar e em instantes tiveram o estalo: Pretinha podia amamentar os gatinhos, que tinham menos de 30 dias de vida.

As duas, Marcela e Gonçala, procuraram a veterinária Giovana Mazzotti, que disse que se a cadela aceitasse, não teria problemas. “Como são duas espécies carnívoras, a composição do leite é parecida, o que não interfere muito para os filhotes”, alega a especialista, que atuou durante cinco anos no Hospital Veterinário da Universidade de Brasília (UnB) e hoje coordena a área veterinária da primeira clínica só para gatos de Brasília.

Levados para um abrigo provisório, que fica em uma chácara no caminho de Luziânia, inicialmente a história de cão que não se dá com gato se confirmou: no primeiro dia Pretinha não quis saber dos filhotes e continuou deprimida. Porém, quando os gatos, que foram levados para dentro da casa, começaram a miar, a cadela não se conteve e ficou inquieta em volta do local. As amigas tentaram novamente e, desde então, Pretinha amamenta cinco gatos — dois malhados e três pretos.

A veterinária Giovana Mazzotti explica que a atitude de Pretinha é comum, principalmente entre animais domésticos. “Historicamente, quando vivem em grupos, uma fêmea costuma alimentar filhotes de outras raças. Isso também acontece com cães e gatos, mas não são todos. A fêmea precisa ter um temperamento calmo e aceitar os filhotes, caso contrário os mataria”, explica Giovana.

O gato é presa natural do cão, pois eles têm instinto de caçador. Assim também são os gatos com animais menores, como os roedores. Porém, a veterinária esclarece que, apesar de inimigos, cães e gatos podem viver em harmonia. “Se o cão tiver temperamento manso ou se for acostumado desde filhote com gatos, eles podem viver no mesmo ambiente, sem brigas”, afirma.

Doação
Dentro de duas semanas, os gatos, que ainda não receberam nomes, serão colocados para doação. Assim age o grupo de amigas amantes de animais. Sempre que encontram gato ou cachorro abandonados, eles são castrados e encaminhados para algum abrigo, que conseguem com a ajuda de voluntários. Recebem alimentação e muitos precisam de medicamentos, doados por algumas casas de pet shop.

Os animais ficam no local até conseguirem um lar. As amigas, em geral,acionam seus contatos e conseguem alguém interessado em ficar com os bichos; outras vezes, elas preparam feiras de doações. Hoje, cerca de 30 animais esperam adoção nesses abrigos provisórios.

No mundo
A relação entre animais de raças diferentes se confirma em todo o mundo. Há três dias, na Austrália, um cachorro salvou a vida de quatro gatos. A casa em que moravam começou a pegar fogo. Ficou apenas o cão, de nome Léo, e os gatos filhotes, que estavam em uma caixa. Léo ficou cuidando dos gatos até a chegada dos bombeiros.

Na Alemanha, um tigre branco, chamado Bombay, de 1 ano de idade e o cão Jack, um dálmata de 4, vivem pacificamente, há quatro meses, na mesma jaula em um circo. Na Tailândia, um cão e um papagaio participam juntos de um ato pela paz. Vestidos com roupas especiais, a ave Keow Wan faz o percurso sentada sobre Yim, um pastor preto.


PARTICIPE
O grupo precisa de doações, principalmente de ração e medicamentos para animais, e locais apropriados para deixarem os bichos até a doação. Contato pelo telefone 9111-0670.

 

Fonte: Correio Braziliense
Matéria em: http://www.correiobraziliense.com.br/html/sessao_13/2008/10
/31/noticia_interna,id_sessao=13&id_noticia=45007/noticia_interna.shtml