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20/8-/2-08 8h10
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Exames trocados podem revelar falso positivo

A Leishmaniose canina tem provocado discussões no Distrito Federal entre órgãos de saúde e grupos em defesa dos animais. A obrigação de sacrificar os bichos de estimação assusta donos de cães. O mais novo ponto de divergências são as trocas de laudos com os resultados dos exames e até dos nomes dos bichos.

Com a dona de casa Rocheli Araújo, 33 anos, a confusão foi pelo nome de seu animal. "Quando fui pegar o laudo do meu cachorro, vi que deu positivo. Só depois de muita confusão, percebi que o laudo não era do Toni e sim de outro cachorro", recordou ela, que agora espera o resultado final do exame de Toni, torcendo por um negativo. 
A diretora da Associação Protetora dos Animais do Distrito Federal (Proanima), Ariadne de Castro, acredita que a eutanásia é o pior meio para tratar o assunto. "A campanha feita pelo governo tem vários equívocos, um deles é o sacrifício obrigatório dos animais. Em muitos dos casos não é preciso chegar ao extremo da eutanásia", afirmou.
Além disso, ainda segundo Ariadne, a Secretaria de Saúde recomenda que os proprietários dos animais façam exames de contraprova em clínicas particulares. "Acho que deveria ser de responsabilidade do governo. O próprio governo assume que os exames não são 100% eficazes. Então eles deveriam assumir o segundo e o terceiro exame. Já entramos com uma ação civil pública contra a Secretaria de Saúde para pedir mudanças na política de combate à leishmaniose", avaliou.
O objetivo da ONG é que o governo faça, de maneira gratuita, pelo menos três exames diferentes nos cachorros com suspeita da doença antes da eutanásia, para só assim obter uma certeza de que o animal está contaminado. O GDF garante que a medida é inviável, já que contraria as normas definidas pelo Ministério da Saúde.
Além disso, a informação de que algumas análises com resultados de falso positivo foi contestada pela Secretaria de Saúde. Para a diretora interina de Vigilância Epidemiológica da Secretaria da Saúde, Rosely Cerqueira, os exames são seguros e raramente apresentam falhas. Ele acredita que a dificuldade está em alguns proprietários de animais que ainda demonstram resistência ao exame e à decisão de ter que sacrificar o animal. "É claro que ninguém quer que seu animal de estimação seja submetido ao sacrifício. Porém, as pessoas têm que entender que, em certos casos, a melhor solução é cortar o mal pela raiz. Não temos nenhum interesse em realizar um exame errado porque a nossa preocupação é com a saúde pública. Seria muita irresponsabilidade da nossa parte se realizássemos uma campanha como essa sem ter uma maneira segura para fazer o diagnóstico", explicou Rosely.
De acordo com a Secretaria de Saúde, em 2007 foram registrados 62 casos da doença em humanos no Distrito Federal. Estima-se que, até agora, cerca de 30 casos tenham sido diagnosticados. A região do Lago Norte tem os maiores índices da doença, cerca de 20% dos cachorros que foram examinados na área possuem o parasita causador da leishmaniose.


Fonte: Tribuna do Brasil
Matéria em: http://www.tribunadobrasil.com.br/?ntc=78452&ned=2504