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20/8-/0-09 12h24
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GAP - Em memória de Jerom. "Como centenas de chimpanzés foram torturados inutilmente"

“Como acontecem nas experiências com animais vivos, Jerom sofreu muito durante o tempo em que sua doença foi inoculada em seu corpo, sem dar-lhe remédios, nem para mitigar a dor, a fim de não interferir no curso da mesma. Estive com Jerom os últimos 6 meses de vida. Fui sua tratadora e sua enfermeira, e observei seu declínio da mesma forma que vi declinar a vida de um amigo humano vitimado pela SIDA. Minha vida foi profundamente afetada pelo meu trabalho com Jerom e seus companheiros chimpanzés. Escrevo por Jerom porque eu fui sua testemunha. Escrevo por Jerom porque para mim chegou a ser um símbolo de algo maior que ficou em minha memória e gera uma profunda tristeza pelo filho, irmão, paciente que eu já perdi, e que me faz refletir e me impulsiona a não ficar calada, cada vez que escuto as últimas crueldades praticadas em nome da humanidade e da ciência.”

GAP - Em memória de Jerom. "Como centenas de chimpanzés foram torturados inutilmente"

Chimpanzés sobreviventes inoculados com HIV ( Santuário Fauna Foundation)

“No lugar de uma figura orgulhosa, ele estava magro e desolado, seu crânio sem pêlos, sua pele pálida, seus olhos afundados, refletindo o medo e a febre que consumia seu corpo. Ele sofreu cada minuto e em cada forma que é possível sofrer para um chimpanzé engaiolado, e então morreu.”

Este é um dos testemunhos de Rachel Weiss, que cuidava de Jerom, no Centro de Primatologia de Yerkes, da Universidade Norteamericana de Emory, onde foi usado para o desenvolvimento de uma vacina que nunca funcionou contra o HIV. Dias após a morte de Jerom, Rachel abandonou seu emprego no centro de tortura de Yerkes (que ainda existe) e se converteu em uma ativista contra o uso dos chimpanzés em pesquisa médica.

O Projeto R&R e a NEAVS publicaram em setembro um trabalho na revista científica Alternatives to Laboratory Animals (ATLA – vol. 36 pág. 381-428), onde questionam todo o programa do governo norteamericano nos últimos 25 anos de desenvolver uma cura contra a SIDA, usando os chimpanzés como o modelo para pesquisa da doença.

Dezenas de milhões de dólares foram gastos pelo NIH (National Institute of Health) dos Estados Unidos, e centenas de chimpanzés desde bebês foram inoculados, torturados e sacrificados, em aras de uma vacina que nunca funcionou, já que os chimpanzés se comportam diferente dos humanos frente ao vírus de HIV. O vírus inoculado fica nos sangue dele, pouco tempo depois começa a diminuir, até quase desaparecer totalmente, sem desenvolver a doença. A abordagem cientifica norteamericana demorou 25 anos para entender que estavam errados, e dezenas como Jerom foram trucidados sem dor nem compaixão nesse período.

Como se não bastasse a crueldade feita com Jerom, que aos dois anos de idade foi inoculado e morreu 12 anos depois, ele foi cremado em uma caixa sem nome, só com um número o C499; após sua morte seu sangue foi inoculado em três outros chimpanzés, e fragmentos do seu cérebro foram inoculados em cérebros de outros chimpanzés, inutilmente.

Esta história que o Projeto R&R apresenta em sua total dimensão de crueldade deve envergonhar o mundo cientifico e fazer refletir para que essa história não se repita com nenhum outro ser vivo.

Dr. Pedro A. Ynterian

Presidente do Projeto GAP Internacional


Fonte: Projeto GAP

http://www.projetogap.com.br