20/9-/5-27 20h46
Gente que faz: ONGs e outras associações em prol dos animais
Que tal começar este texto com uma bela frase? Se ter heróis e heroínas para admirar é muito bom, tomá-los como exemplo e procurar fazer pelo menos tão bem é melhor ainda. Não foi só na Idade Média que o mundo tinha necessidade de um São Francisco de Assis consciente da necessidade de se tratar bem e proteger os animais. E nem é preciso ter um saldo bancário tão grande quanto o coração como, por exemplo, Lily Marinho, que abriga gatos e mais gatos numa mansão especial, que só de IPTU consome quase 50 mil reais. Sem dúvida é louvável a atitude de Lily, que deixa de viajar pela Europa e ficar comprando roupas de grife em prol de animais abandonados. Mas com menos, até bem menos, tal como o beija-flor da fábula, cada pessoa pode fazer sua parte. Basta gostar de animais, ter consciência da necessidade que têm de carinho e bem-estar, arregaçar as mangas - e, recomendamos, guardar no armário a calça branca.
Cristina Guerra traz até no sobrenome a determinação de dar aos animais de rua o que este injusto mundo - injusto até com as próprias pessoas - costuma lhes negar. Há onze anos ela e uma amiga, Roseli Serra Lourenço Dias, comandam o Clube da Mancha, na cidade de São Paulo. "A gente não é uma ONG", explica Cristina, "somos só duas amigas que querem ajudar os animais, conscientizar as pessoas sobre eles, promover castrações a baixo custo." "As pessoas não têm muita noção do que seja uma cachorra ou gata prenha e quando surgem os filhotinhos acontece o abandono", completa Roseli. "A gente procura recuperar os animais, castrar e encaminhar para adoção, e conscientizar as pessoas para cuidarem dos animais, colocarem coleira, identificação". Cristina lembra que pessoas de classes mais altas também precisam de conscientização, "para não simplesmente largarem animais nas mãos de moradores de rua". O Clube da Mancha cumpre heroicamente sua função, realizando cerca de dez castrações, dez vermifugações e cinco vacinações de cães e gatos (incluindo animais de rua e com donos que necessitam de apoio financeiro ou informativo) por mês ("chegamos a fazer 700 castrações num ano, com a Prefeitura dando um patrocínio aos médicos, mas depois da Marta isso parou", lembra Roseli). E o Clube da Mancha espera ter logo verba suficiente para reativar sua própria página na Internet. Você pode contatar Cristina e Roseli pelo e-mail clubedamancha@hotmail.com .
Tais organizações, informais ou não, em prol dos animais existem em todo o Brasil. Por exemplo, os "manezinhos" de quatro patas também recebem afagos nas barriguinhas verdes (em Florianópolis, para quem não entendeu) há exatamente dez anos, em outubro de 1999, quando quatro amigos se dispuseram a acolher outros tantos cães abandonados que viviam procurando comida nas lixeiras do bairro de Parque São Jorge e fugindo de moradores que, pensando apenas no próprio sossego, chegava a enxotá-los com pedras. Este quarteto fundou a Sociedade Amigos dos Animais, cujos contatos são o site (clique aqui) e (48) 9907-8384.
Um bom exemplo de quem, para citar a canção, "organiza o movimento
no Planalto Central do país" é a associação brasiliense ProAnima,
fundada em 2003 e cuja proposta é "promover a harmonia nas interações
entre homens e animais" e "conscientização para o respeito aos animais
e o avanço da legislação de proteção aos animais e sua aplicação". Seus
objetivos concretos mais imediatos são a promoção da guarda responsável
e controle populacional de bichos de estimação, erradicação dos
veículos a tração animal (ou pelo menos melhora nas condições de vida
dos animais ainda usados para tração) e proibição de espetáculos com
animais em todo o Distrito Federal. Mais detalhes no site e pelo telefone (61)3032-3583.
Felizmente,
tais boas práticas no Brasil vêm de longe. Que o diga a Sociedade
Zoófila Educativa (SOZED) fundada há 40 anos por pessoas interessadas
em defender os direitos dos animais e cujo objetivo, em 1969 como hoje,
se resume em uma linha: "Acabar com o abandono e os maus tratos em
animais". Consulte:
http://www.sozed.kit.net/ ou http://www.sozed.org.br
e (21) 2273-8233. Ainda mais veterana é a velha e boa SUIPA (Sociedade
União Internacional Protetora dos Animais), fundada no Rio de Janeiro
em 1943 e cuja meta é o direito a bons tratos para todo cão,
independente de raça, idade ou condições físicas, inclusive os
abandonados ou atropelados nas ruas. A SUIPA
nasceu como "Sociedade União Infantil Protetora dos Animais", (contato
pelo telefone (21) 3297-8777) pois os primeiros protetores faziam
questão de que seus filhos auxiliassem no recolhimento e tratamento de
cães abandonados - e com o tempo os animais recolhidos incluíram
cavalos maltratados por carroceiros e galos retirados daquele esporte
ainda mais bestial que o boxe, os combates em rinhas. Falamos em Lily
Marinho; pois bem, seu ilustre marido Roberto também foi "suipano",
assim como Carlos Drummond de Andrade, Rachel de Queiroz e outros cujo
intelecto também servia a grandes causas do mundo real.
Nunca é demais lembrar dois detalhes. Um: assim como as feiras de adoção, estas organizações de assistência aos bichos não são abrigos! Nada de simplesmente chegar à porta e largar um caixote de animais para adoção. Como esclarece a ProAnima, "abrigos se tornam chamarizes para o abandono e desresponsabilizam governo e sociedade para as causas da superpopulação e abandono desses animais." O outro: estas entidades trabalham sem fins lucrativos, financiando tudo do próprio bolso e/ou com ajuda de subvenções de Prefeituras e veterinários e outros profissionais trabalhando voluntariamente. Como resume a Sociedade Amigos dos Animais, de Floripa, a verba vem de "doações de particulares que se sensibilizam com a situação dos animais de rua e nos dão apoio para que consigamos continuar nosso trabalho. Não há repasse de verbas por parte do poder público. Quando falta dinheiro para alguma coisa, um membro costuma arcar com o ônus, ficando de ser ressarcido quando houver disponibilidade de caixa. Os animais que permanecem nas casas de passagens dos voluntários são mantidos por estes, sem gerar mais ônus para o ONG. A falta de dinheiro e apoio reprime nossa atividade diária, mas não retira nossa vontade em fazer sempre melhor o que nos propomos a fazer, que é atender os animais que estão necessitando de amparo, bem como dar assistência aos de famílias carentes": Enfim, todos saem ganhando o que vale mais que qualquer salário: animais mais saudáveis e bem tratados, pessoas mais conscientes, a cidade mais limpa e a satisfação de dever cumprido. Nada fácil, mas vale a pena. Como resumo, Cristina Guerra cita até outros bichos: para cuidar de tantos cães abandonados ou maltratados "a gente mata um leão por dia" e "faz trabalho de formiga".
Fonte: Yahoo
Matéria em: http://br.noticias.yahoo.com/s/26052009/48/entretenimento-gente-ongs-associacoes-prol-dos.html