20/8-/1-23 9h45
Ibama apura troca de animais do Le Cirque
O Ibama quer que a direção do Zoológico de Brasília explique porque transferiu elefantes do Le Cirque para um hotel-fazenda em Santa Catarina, em detrimento do que determinara o órgão. A remoção foi realizada há uma semana. O Correio apurou que, de última a hora, houve troca de animais e de destino. A ordem do Ibama era para que a elefanta Madras fosse transferida para São Paulo. O que ocorreu, no entanto, sem o conhecimento do órgão, foi que as elefantas Carla e Rungi seguiram para o Sul do país. Madras permanece no Zôo. E era exatamente a garantia da integridade física dela que justificou o pedido do Ibama à Justiça para a remoção dos animais.
Procurado pelo Correio, o coordenador de Fiscalização de Fauna do Ibama
nacional, Antônio Gamme, afirmou que não teve conhecimento da mudança.
O fato contrariou suas orientações. “Na minha ausência, eu estava em
São Paulo naquele dia, tomaram a decisão à revelia. Quando tive
informação sobre o ocorrido, pedi que a direção do Zoológico me
apresentasse um esclarecimento e até agora não fui convencido. Também
não entendo porque se priorizou o transporte para o hotel fazenda em
Santa Catarina”, contou.
Gamme afirma que a orientação era que
a elefanta Madras fosse a primeira a ser removida. “Era para ela o
pedido de urgência de remoção”, reforça. Isso porque, das quatro
elefantas do Le Cirque abrigadas no Zôo de Brasília, Madras era
agredida pelas outras e teve de ser separada por uma cerca elétrica. O
comportamento muito agressivo delas justificou o pedido judicial para a
transferência. Madras era a que ficava em pior situação, em menor
espaço e continua assim.
A polêmica em torno dos animais do Le
Cirque voltou com a informação de que alguns dos 24 animais apreendidos
estão sendo redistribuídos a outros viveiros. E todos particulares, o
que provocou denúncia de direcionamento irregular dos animais, como
divulgou matéria do Correio ontem. Em documento enviado ao Ibama, o
Zoológico de Goiânia, que é público, se mostrou interessado em receber
os animais e afirma ter recintos apropriados. O diretor do Zôo goiano,
Raphael Cupertino, disse que estava preparando recintos para elefantes.
“Para receber as girafas, já temos condições de espaço”, confirmou.
Gamme
informou que o Ibama pretende enviar as girafas do Le Cirque para o
estado vizinho. “Mas ainda é preciso realmente confirmar se o recinto
está pronto.” Sobre o espaço dos elefantes, afirma que o Zoológico de
Goiânia não tem condições técnicas para receber os animais. “O Ibama
não está dando animal, distribuindo bicho. Estamos apenas realocando as
espécies para onde estejam em melhores condições. Estamos apenas
concedendo uma custódia temporária”, explicou Gamme.
O diretor
do Zoológico de Brasília, Raul Gonzales, afirma que não houve
irregularidade alguma no embarque dos elefantes para o hotel fazenda em
Santa Catarina. “Cumprimos uma decisão judicial. A autorização do juiz
existe, e nela não diz que elefanta deveria ir primeiro. Foi a carreta
do hotel fazenda que chegou aqui para buscar os elefantes. O transporte
era deles. Ninguém veio pegar Madras”. Gonzales diz que é parceiro do
Ibama. “Recebemos os animais do Le Cirque por amor aos bichos e para
atender ao Ibama. Nosso objetivo é apenas colaborar”, destaca.
A
disputa pelos animais com o Le Cirque, que é acusado de maus-tratos,
continua. Eles correspondem a um patrimônio de R$ 6 milhões. Entre os
apreendidos, estão espécies que correm risco de extinção, como o
rinoceronte-branco, que vale pelo menos U$ 350 mil.
Fonte: Correio Braziliense
Matéria em: http://www.correiobraziliense.com.br/html/sessao_13/2008/11/22/noticia_interna,id_sessao=13&id_noticia=50979/noticia_interna.shtml