20/9-/1-13 9h08
Justiça determina que Ibama do PR fiscalize animais de circo
A 4ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) decidiu, em julgamento ocorrido nesta semana, que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – Ibama tem o dever de fiscalizar o tratamento dado aos animais exóticos expostos em circos no estado do Paraná.
Após receber informações da Associação Xamã de que existiam muitos
animais sofrendo maus tratos em circos que se apresentavam no estado, o
Ministério Público Estadual (MP) ajuizou ação civil pública na Justiça
Federal requerendo que o Ibama fosse obrigado a fiscalizar, cadastrar,
apreender e repatriar animais exóticos em caso de irregularidades.
Ao ser intimado, o instituto argumentou limitação orçamentária e
funcional, aduzindo ainda que não podem ser considerados maus tratos se
o animal está hidratado, alimentado e com a cela limpa, além de que sua
função estaria restrita ao cuidado com animais silvestres. A sentença
de primeiro grau considerou improcedente a ação.
A decisão levou o MP a recorrer ao tribunal sustentando que não há nada
que diferencie animais de circo exóticos de animais silvestres, que ao
Ibama cabe atender a todas as espécies de igual forma. Para a
procuradoria, o tratamento inadequado, segundo as necessidades
específicas da espécie, deve ser considerado um mau trato.
Um exemplo está no depoimento de uma testemunha do processo, que
relatou que um chimpanzé estava sendo colocado no globo da morte como
atração. Portanto, a simples verificação de alimentação e limpeza da
jaula não seria o suficiente, sustentou o MP, mas uma verificação ampla
das condições de exploração dos bichos, expostos a vários tipos de
violência.
Ao analisar o recurso, o relator do acórdão, juiz federal Márcio Rocha,
convocado para atuar no tribunal, deu razão ao MP. “A falta de recursos
pode ser aceita quando muito para que se adote soluções alternativas,
mas o problema deve caminhar para uma solução”, declarou em seu voto.
Em sua argumentação, Rocha reproduziu parte de um voto do ministro do
STJ Humberto Martins: “A condenação dos atos cruéis não possui origem
na necessidade do equilíbrio ambiental, mas sim no reconhecimento de
que os animais são dotados de uma estrutura orgânica que lhes permite
sofrer e sentir dor. A rejeição a tais atos aflora, na verdade, dos
sentimentos de justiça, de compaixão, de piedade, que orientam o ser
humano a repelir toda e qualquer forma de mal radical, evitável e sem
justificativa razoável”.
Rocha reformou a sentença de primeiro grau e condenou o Ibama a
fiscalizar, submeter a guarda e mantença do animal a licenciamento e,
em caso de não atendimento no prazo de 30 dias, conceder a posse do
animal a terceiro que tenha condições de mantê-lo de forma adequada. O
magistrado excluiu da condenação o repatriamento de animais, pois tal
medida dependeria de outros governos. A decisão é restrita ao estado do
Paraná.
Fonte: Portal da Justiça Federal da 4a. Região
Matéria em: http://www.jfpr.gov.br/comsoc/noticia.php?codigo=4205