Personal tools
You are here: Home Notícias ProAnima entra com ação para que animais passem por mais três testes

<< Ver todas as notícias


20/8-/2-04 9h24
Document Actions

ProAnima entra com ação para que animais passem por mais três testes

Depois da polêmica e dos debates entre o governo, entidades de defesa dos animais e Ministério Público, o sacrifício de cães doentes foi parar na Justiça. A Sociedade Protetora dos Animais (ProAnima) entrou, ontem, com uma ação civil pública contra a Secretaria de Saúde para pedir mudanças na política de combate à leishmaniose. A entidade quer que o governo faça pelo menos três exames diferentes nos cachorros com suspeita da doença antes da eutanásia. O GDF garante que a medida é inviável, já que contraria as normas definidas pelo Ministério da Saúde.

Hoje, os proprietários podem levar seus cães para fazer um exame de sangue gratuito na Zoonoses. O método usado é conhecido como imunofluorescência e se baseia na detecção de anticorpos antileishmania. O problema é que cães vacinados contra a leishmaniose podem apresentar um falso positivo quando submetidos a essa sorologia. Por isso, a Secretaria de Saúde não recomenda que os animais sejam vacinados.

A diretora-geral da ProAnima, Marina Corbucci, explica que a entidade resolveu questionar a política de combate à doença para evitar que animais saudáveis sejam sacrificados. “É preciso usar pelo menos três métodos diferentes antes de determinar a eutanásia de um cão. Queremos que isso seja adotado como política pública do governo, já que muitas pessoas não têm recursos para fazer as contraprovas”, justifica.

Há pelo menos quatro exames que detectam a leishmaniose em cães. Além da Imunofluorescência, recomendada pelo Ministério da Saúde e usada no DF, há o método Elisa, onde o plasma sanguíneo do animal é analisado. Os veterinários particulares oferecem ainda o exame conhecido como PCR, ou Reação em Cadeia de Polimerase, que detecta o parasita com amplificação do DNA da Leishmania. O último método é o exame parasitológico direto, realizado por meio de punção da medula óssea. Esse exame é o mais preciso: quando dá positivo, não deixa mais dúvidas quanto à doença do animal. Mas a contraprova aos laudos do governo sai caro. Um combinado de dois exames nos laboratórios particulares custa cerca de R$ 150.

Métodos de exames
O veterinário da Secretaria de Saúde Péricles Massunaga diz que a reivindicação da Sociedade Protetora dos Animais é inviável. “Isso seria impossível. Nenhum Estado oferece vários métodos de exames. Seguimos à risca as regras do Ministério da Saúde e utilizamos o exame recomendado por eles”, explica o veterinário.

Para o promotor de Defesa dos Direitos dos Usuários do Sistema Único de Saúde (Pro-Sus), Jairo Bisol, a Justiça não é a instância ideal para discutir mudanças de políticas públicas. “A Secretaria de Saúde segue as normas da política nacional de combate à leishmaniose e tem técnicos de alta qualidade. Acho perigoso passar para o Poder Judiciário a incumbência de definir políticas de combate a zoonoses”, destaca.

 

Fonte: Correio Braziliense
Matéria em: http://www.correiobraziliense.com.br/html/sessao_13/2008/12/04/noticia_interna,id_sessao=13&id_noticia=54456/noticia_interna.shtml?

 

* NOTA DA PROANIMA:

1) Em sua ação civil pública, diante da possibilidade de animais saudáveis serem condenados a morte
por conta de uma sorologia que gera percentual razoável de falsos positivos, a ProAnima requer a realização de mais
dois exames ( e não três, conforme colocado na matéria)
 
2) O custo de realização de qualquer procedimento pelo Estado, dado o volume e natureza sem fins lucrativos, é inferior ao praticado por empreendimentos
comerciais. Pode ainda ser realizado em convênios com instituições de pesquisa.
 
3) O problema não é, como afirma a matéria, "que os cães vacinados podem apresentar um falso positivo". O problema é que o exame usado pelo GDF,  RIFI apresenta reações cruzadas com outras doenças: Leishmaniose Tegumentar (onde o sacrifício de cães não é indicado); Erliquiose e babesiose ( doenças do carrapato) e mesmo a simples exposição à doença. Ou seja, o animal pode ser perfeitamente saudável ou ter outra doença tratável e  ser sacrificado inutilmente.

Por exemplo, em Belo Horizonte, mais de 12 mil cães falsos positivos foram mortos em apenas 4 anos:

Alves e Beviláqua (2004)[1], ao analisar o inqérito epidemiológico em Belo Horizonte entre 1993-1997, admitem que, devido a problemas de especificidade do exame diganóstico empregado (RIFI) uma alta percentagem de animais não portadores da leishmaniose visceral foi identificada erroneamente como portadores de Leishmaniose visceral :

 

"Verificamos que dos 400.556 animais diagnosticados como negativos, 2003 seriam, na verdade, falsos negativos, e dentre os 15.117 positivos, 12925 seriam falsos positivos. De fato, corroborando as suspeitas levantadas pelos clínicos veterinários de pequenos animais.". Alves e Beviláqua, 2004, p. 261)



 

[1] Alves, W. Bevilacqua, P. (2004). Reflexões sobre a qualidade do diagnóstico da leishmaniose visceral canina em inquéritos epidemiológicos: o caso da epidemia de Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil, 1993-1997. Cad Saúde Pública, Rio de Janeiro, 20 (1): 259-265, jan-fev, 2004.

 

 
4) Ao contrário do que afirma a matéria, mais de uma exame é praticado em Mato Grosso do Sul, por determinação judicial, e em São Paulo, por orientação do Manual do Estado (ftp://ftp.cve.saude.sp.gov.br/doc_tec/zoo/lva06_manual.pdf). Em São Paulo, animais em áreas de transmissão comprovada são submetidos primeiro a um exame Elisa; caso positivo, a um RIFI . Dependendo do status do município, também são realizadas culturas e exames parasitológicos diretos pelo estado. Ou seja, os estados podem adotar procedimentos diferentes e mais criteriosos do que os recomendados pelo MS.