O que é a ProAnima
A ProAnima é uma associação sem fins lucrativos, de caráter socioambientalista, fundada em 31 de outubro de 2003.
Sua missão é promover a harmonia nas interações entre homens e animais. Temos um estatuto e regimento interno que prevê direitos e deveres de associados e formas democráticas de gestão e um ideário que reúne nossos princípios e norteia nosso trabalho.
O foco de nosso trabalho é a conscientização para o respeito aos animais e o
avanço da legislação de proteção aos animais e sua aplicação. Em específico, atualmente
nos concentraremos:
(1) na mudança nas relações da sociedade e poder público com os animais domésticos (guarda responsável e controle populacional de animais de companhia);
(2) eliminação dos veículos de tração animal (VTA) e melhoras na situação dos animais de tração no DF onde este for o avanço possível; e
(3) proibição de espetáculos com animais no DF.
A ProAnima também possui preocupações com a convivência sustentável e ética entre pessoas e meio ambiente. Nesta perspectiva, é filiada ao Fórum de ONG’s Ambientalistas do DF. Nossa
análise da conexão entre estilos de vida, modos de produção, ambiente e os
animais nos faz apoiar iniciativas de preservação de ecossistemas,
principalmente o Cerrado, e promoção do consumo ecologicamente consciente e
justo e do vegetarianismo.
Também é filiada à Sociedade Mundial de Proteção Animal (WSPA). Portanto, colabora com entidades nacionais e internacionais em campanhas de combate a práticas que levam ao sofrimento dos animais – sejam eles domésticos, silvestres ou exóticos.
Vertentes filosóficas e teóricas do movimento de proteção animal
O movimento de proteção animal, como vários movimentos, possui diferentes
vertentes filosóficas e teóricas. Pela complexidade do tema, podemos
apresentar apenas um sumário aqui e situar a ProAnima dentro desse espectro.
O modelo de recolhimento e abrigo de animais domésticos de companhia
Tradicionalmente,
a proteção animal no Brasil segue o modelo de recolhimento e abrigo de animais domésticos de
companhia. A consciência da importância da esterilização cirúrgica
como modo de controle populacional e ações de educação e legislação eram incomuns
há poucos anos; além disso, o respeito por e defesa da vida de cães e gatos não
se estendia, quase, a outras espécies. Este é o modelo do “abrigo” e a ProAnima surgiu como questionamento à
eficácia e viabilidade deste modelo no cenário brasileiro.
Atividades bem
estruturadas de assistência direta aos animais são importantes auxiliares na
defesa dos animais. Contudo há que se distinguir entre programas de abrigos ou
lares temporários que maximizem o bem-estar
animal, tenham protocolos cuidadosos com a saúde dos animais, pratiquem e
difundam a esterilização cirúrgica e atuem dentro de limites criteriosos da
atividade de “colecionar” animais (animal hoarding).
O/A colecionador(a) de
animais, condição que cada vez mais tem sido compreendido como psicopatologia,
não suporta ver nenhum animal na rua e prontamente o recolhe independentemente
de condições logísticas e financeiras, o que acarreta muitas vezes uma
qualidade de vida pior para o animal do que se estivesse na rua.
Como a ProAnima se
situa nesse cenário: entendemos que atividades de assistência por si só
jamais resolverão os problemas dos animais domésticos de companhia. Condenamos e procuramos conscientizar a sociedade sobre a tragédia inerente à
atividade de entulhar animais em abrigos, vivendo de emergência em emergência e
eterna inviabilidade. A linha entre uma atuação (proteção responsável) e outra (colecionar
animais) no Brasil pode ser tênue. Porém, colaboramos
com iniciativas sérias e responsáveis de assistência a animais. E ajudar potenciais colecionadores a terem ações mais responsáveis e viáveis e informar à sociedade e
imprensa sobre estas diferenças está entre nossas atividades de educação.
Quando
lidamos diretamente com atividades de assistência, como auxiliares ao nosso
trabalho, temos por princípios: o cuidado do mais alto padrão para os animais;
vacinação, exame clínico e laboratorial e esterilização cirúrgica de todos os
domésticos de companhia sob a nossa guarda. Não praticamos “eutanásia de
conveniência” em nossos animais. E temos critérios cuidadosos para o encaminhamento
de animais a adoção.
Modelos de conservação
Nos modelos de conservação, o foco está na preservação da espécie e não do indivíduo. Por isso, para uma organização conservacionista matar animais de uma espécie “superpopulosa” pode ser justificável.
Como
a ProAnima se situa: reconhecemos
os enormes avanços e contribuições das diversas organizações de conservação
atuantes no mundo e no Brasil e nos aliamos às mesmas em várias causas comuns.
No entanto, afirmamos que os seres humanos (sendo a pior “espécie exótica
invasora” do mundo) não podem se isentar de suas responsabilidades éticas e
cremos na promoção ao respeito às vidas individuais de cada animal independentemente
do status de sua espécie (populosa, rara ou em extinção).
Os modelos bem-estarista e abolicionista ou de direitos dos animais
Dentro do movimento de proteção animal atual encontramos ainda os modelos bem-estarista e abolicionista ou de direitos dos animais. Aqui o grande debate é sobre os fins e meios e estratégias, além de opções éticas, de defesa dos animais: o que queremos para os animais, como lutaremos para este fim e que tipo de ética pessoal e institucional é compatível com estas escolhas.
Esse é um debate extensivo, difícil e muitas vezes acalorado e desagregador no movimento de proteção animal. Por outro lado, é um debate necessário, pois faz avançar nosso questionamento ético.
Em um extremo do espectro estaria uma visão bem-estarista total: podemos usar os animais à vontade (para espetáculos, para consumo, na ciência, etc) desde que eles tenham uma vida razoavelmente poupada de sofrimentos. Ou seja, se os usarmos utilizando gaiolas “enriquecidas”, abate “humanitário”, bom alimento, etc.
Em outro extremo estaria uma visão abolicionista total: nenhum tipo de uso ou intervenção (e às vezes, mesmo de convivência) humana seria eticamente aceitável e qualquer medida de promoção gradativa de bem-estar dos animais usados é injustificável e age contra o interesse destes.
Na “vida real”, no entanto, é mais difícil
este preto-no-branco e mesmo entidades com fama de “abolicionistas” agem com
estratégias múltiplas (por exemplo, promovendo o vegetarianismo, mas também
fazendo pressões junto a corporações para a mudança nos sistemas de
confinamento de animais de produção). De sua parte, muitos indivíduos que
trabalham na promoção de medidas bem-estaristas não vêem o bem-estar animal
como um fim, mas como o “melhor possível” dentro da situação atual.
Na maior parte das questões há concordância: a inadmissibilidade da caça de silvestres ou da matança de animais como modo de controle populacional de domésticos; a inadmissibilidade do uso de animais em espetáculos como circos, rodeios e vaquejadas; o combate de fábricas de filhotes e por aí vai.
As divergências começam a aparecer em como lidar com o uso de animais em âmbitos nos quais as chances de mudanças imediatas parecem ser menores por conta da oposição de poderes econômicos e falta de conscientização da sociedade. O dilema é: enquanto as mudanças totais não acontecem, seria a promoção de passos intermediários uma capitulação, ou pior, contribuir com o “inimigo”?
Posicionamento da ProAnima
A posição da ProAnima, no momento, é a seguinte: nossa visão é um mundo no qual todas as relações com os animais se pautem pelo respeito e celebremos o valor de suas vidas, quer o animal seja de uma espécie silvestre, exótica, “superpopulosa”, rara, habitualmente domesticada, o que seja. Reconhecemos em cada animal a capacidade de sentir dor, estresse e medo, assim como o conforto e o prazer e vemos como necessidade ética buscarmos modos de vida que não façam o mal e sim respeitem as necessidades de cada indivíduo.
Neste processo, temos a consciência de que
ao mesmo tempo em que pesquisamos e divulgamos modos de vida que respeitem a
vida dos outros seres, (e nos esforçamos individualmente para avançar neste
sentido), haverá situações em que estará no interesse dos animais serem
poupados das formas mais abusivas da existência. Assim, em cada momento e em cada
caso, avaliaremos quais são as ações e estratégias que mais potencial terão
para salvar vidas, mesmo em prazos diferentes.
Não achamos proveitoso um fechamento a
iniciativas bem-estaristas (ou parcerias com iniciativas bem-estaristas) desde
que pesada a viabilidade das alternativas e a aplicação máximas das leis. Por
outro lado, a ProAnima procurará sempre estimular seus associados, amigos,
parceiros e membros do público a adotarem um estilo de vida HOJE que seja o
mais respeitoso possível das diversas formas de vida. Por outro lado, sabemos,
por exemplo, que em determinados âmbitos e esferas, as mudanças serão
paulatinas. Onde avaliarmos que o maior avanço possível seja garantida por uma
medida bem-estarista, poderemos apoiá-la.
Quem é a ProAnima
A ProAnima é formada por pessoas com experiências diversas, que acreditam no trabalho voluntário, comprometido, solidário - e prazeroso! Possui uma diretoria periodicamente renovada, planejamento de ações, divisão de tarefas, equipes coordenadas de trabalho e realiza prestação de contas periodicamente.
As ações desenvolvidas pela ProAnima são sustentadas pelo trabalho e doações voluntárias de seus associados e amigos. É um grupo talentoso que cria e
promove em conjunto e não apenas
segue ordens e normas.
Neste ponto, é
crucial o entendimento de
que
A ProAnima É O QUE É NA MEDIDA EM QUE SEU VOLUNTARIADO SE ENGAJA
O perfil de nosso voluntariado
Temos flexibilidade, mas também compromisso
O trabalho voluntário é compromisso contínuo e ativo, porém flexível. Cada um contribui na medida de suas possibilidades, mas a seriedade e compromisso com o cumprimento daquilo a que cada um se propôs é essencial. Sabemos que cada um tem ritmos e momentos diferentes e nestes variam as possibilidades de engajamento. Todos os tipos de engajamento são bem-vindos, mas na impossibilidade de cumprir o combinado, basta que seja avisado ao grupo para que a tarefa seja assumida por outra pessoa. É simples. Não somos um grupo de cobranças e amargura; temos uma atitude positiva. Mas isso não nos isenta de sermos sérios no que fazemos. É o que esperamos de novos voluntários.
Estudamos
Outro aspecto
muito importante de nosso trabalho é nos prepararmos para fazemos a defesa dos
animais. Usamos argumentos técnicos, econômicos, científicos e éticos para
propor soluções. Não mudaremos o estado das coisas com argumentos emocionais do
tipo “os animais sofrem tanto, o mundo é tão cruel para com eles...”.
Exercitamos limites financeiros logísticos e emocionais
Trabalhamos dentro de limites. Não acumulamos dívidas com parceiros e isso implica não assumir a responsabilidade pela grande parte das solicitações de ação que recebemos. Também não podemos colocar em práticas todas as boas idéias que temos, nem desenvolver ações de proteção em relação a todos os animais do Brasil e do mundo.
Também não estimulamos que ninguém “se mate”, negligenciando sua família, trabalho ou estudos para o trabalho voluntário. Embora nosso pequeno grupo de linha de frente tenha que ser de certa forma malabarista, multitarefa e parecer tirar tempo do chapéu, não somos e não queremos ser um grupo de mártires. Cada vez mais procuramos um equilíbrio entre as mais diversas esferas de nossas vidas e convidamos todos a fazer o mesmo.
Muitas pessoas em sinergia
Algumas figuras são mais “públicas” na ProAnima - dão mais entrevistas, são vistas mais com animais nas clínicas, mas nosso trabalho envolve dezenas de pessoas em muitas frentes. Cada pedaço é importante e conta muito. Isso significa que precisamos saber trabalhar com outras pessoas (o voluntariado da ProAnima simplesmente não é lugar para quem odeia gente: a maioria dos nossos voluntários é gente!), e precisamos ter um bom equilíbrio entre autonomia e saber se reportar com quem trabalha conosco.
OK! Identifico-me com as idéias e o trabalho. Como posso botar a mão na massa?
Há três maneiras de se relacionar com a ProAnima:
1. Como amigo da Associação, relação em que não existe vínculo com a ProAnima. Os amigos da ProAnima
recebem boletins informativos, colaboram eventualmente e apóiam e
divulgam as causas defendidas pela Associação.
2. Como contribuinte, que contribui regularmente com valores e/ou bens, sem se filiar ao quadro dos associados da ProAnima, não tendo demais obrigações com a Instituição. Possuem direito à voz (não votam) na Assembléia Geral e acesso periódico à prestação de contas e ao relatório de atividades da Instituição.
3. Como associado,
relação em que há vínculo com a ProAnima. Os associados são pessoas que se filiam à Associação após participação em uma reunião para novos voluntários e assinatura obrigatória do termo de serviço voluntário (de acordo com a Lei nº 9.608 de 18/02/1998, que
regulamenta o trabalho voluntário no Brasil). Os associados também são chamados, informalmente, de
voluntários.